• 5. Análises •
5.2 ÁREAS MAIS PROMISSORAS )))
 
 

 

O mapeamento do Potencial Eólico do Espírito Santo evidenciou duas principais áreas para empreendimentos eolio-elétricos no Estado, como indicado na Figura 5.2, ambas situadas ao longo do litoral capixaba.

 

A seguir é apresentada uma descrição sucinta das duas principais áreas, em termos das velocidades médias anuais e dos principais centros de consumo de energia.

São apresentadas também fotografias aéreas procurando-se retratar os pontos mais promissores para instalação de usinas eólicas, sob o ponto de vista das condições de rugosidade do terreno e relevo. A localização dos pontos de onde foram tiradas é indicada nas figuras 5.4 e 5.9. A localização da totalidade das fotos elaboradas para este Atlas dentro do Estado do Espírito Santo é indicada na Lista de Fotografias.

É importante observar que algumas dessas fotografias revelam alagamentos atípicos causados pelo intenso período de chuvas ocorrido no verão de 2008/2009. Ressalta-se ainda que, quando por ocasião da instalação de aerogeradores, estes são normalmente posicionados nas porções mais elevadas do terreno, de modo a não comprometer o acesso.

 

Área 1: Litoral de Linhares
Extensa planície costeira, atravessada ao sul pelo Rio Doce, com baixa rugosidade do terreno e regimes de vento apresentando velocidades médias anuais em torno de 6,5 m/s (a 50 m de altura), nas melhores áreas. Área com vocação para grandes usinas eólicas (dezenas a centenas de megawatts), cujos custos de interligação ao Sistema Elétrico foram sensivelmente diminuídos após a construção da Subestação de Cacimbas. O principal centro de consumo próximo à região é o município de Linhares, com 124 mil habitantes[5]. Ao sul desta área situam-se os distritos de Regência e o povoado de Povoação. É de se observar também que a faixa costeira de aproximadamente 2,5 km de largura e 30 km de comprimento ao sul do Rio Doce abriga uma área de proteção integral (Reserva Biológica de Comboios) e uma terra indígena (Terra Indígena de Comboios).

 Figura 5.3  O mapeamento do potencial eólico do Espírito Santo revelou que esta área está entre as que apresentam as maiores velocidades médias anuais de vento do Estado, com a porção próxima a costa atingindo o valor de 7,5 m/s, a 75 m de altura. A área situa-se a apenas alguns quilômetros da Subestação de Cacimbas (Figura 1.11).

 
 

 

 Figura 5.6  A área pouco povoada no leste do município de Linhares possui várias características que a torna promissora para a instalação de empreendimentos eólicos.

 Figura 5.7  Sul do município de São Mateus, nas proximidades da divisa com o município de Linhares.

 Figura 5.8  Divisa entre os municípios de Linhares e São Mateus.

 

Área 2: Litoral sul, municípios de Presidente Kennedy e Marataízes
Área litorânea de baixa rugosidade com velocidades médias anuais em torno de 6,5 m/s (a 50 m de altura), nas melhores áreas. Apresenta vocação para usinas eólicas de dezenas até centenas de megawatts. Área com menores custos de interligação ao Sistema Elétrico. Como principais centros de consumo, destacam-se os municípios de Cachoeiro de Itapemirim (195 mil habitantes), Itapemirim (31 mil), Marataízes (31 mil) e Presidente Kennedy (10 mil)[5].

 

 
 

 

 Figura 5.11  Nas proximidades do povoado de Marobá, ao redor da divisa entre os municípios de Presidente Kennedy e Marataízes, há áreas promissoras para aproveitamentos eólicos. O povoamento é relativamente pequeno, ocorrendo principalmente atividades agropecuárias. As velocidades médias anuais, na região da costa, são estimadas em torno de 7,0 m/s, a 75 m de altura.

 Figura 5.12  Nas proximidades da cidade de Marataízes o povoamento é maior que nas áreas mais ao sul do município (Figura 5.11); ainda assim, predominam práticas de agricultura e pecuária que mantêm a rugosidade do terreno baixa, possibilitando a coexistência com usinas eólicas.

 

Além dessas áreas principais, existem outras no interior do Estado, situadas, entretanto, em locais de terreno complexo, com dificuldade de acesso, onerando, consequentemente, o transporte e a montagem de turbinas, a interligação ao Sistema Elétrico e a subestações distantes. Em princípio, destinam-se a empreendimentos eólicos isolados e de pequeno porte (até poucas dezenas de megawatts). A área montanhosa do município de Santa Teresa, ilustrada na figura 5.13, é um exemplo de local com algumas destas características.

 Figura 5.13 
Região montanhosa do município de Santa Teresa, ao norte da Reserva Biológica Augusto Ruschi.

A análise da viabilidade técnica e econômica de implantação de usinas eólicas nas áreas aqui indicadas como mais promissoras requer campanhas de medições específicas para os locais de projeto, para os quais devem ser elaborados também modelos de relevo e rugosidade em alta resolução.

Ainda que os resultados apresentados neste Atlas sejam bastante representativos das condições médias anuais do vento sobre o Estado, com o mapeamento das áreas mais promissoras através de anemometria qualificada e avançadas técnicas de modelamento e simulação numérica, variações significativas em torno da média podem ocorrer na microescala, uma vez que o vento é bastante sensível às características locais de relevo, rugosidade e ocorrência de obstáculos.

O potencial de geração eólica do Espírito Santo é promissor (1,79 GW a 75 m de altura para áreas com ventos iguais ou superiores a 6,5 m/s) e poderá ser aproveitado gradativamente, nos limites de inserção do Sistema Elétrico Regional. O aproveitamento da energia dos ventos pode, de modo complementar, alavancar o crescimento econômico e a autossustentabilidade energética do Estado, gerando energia e melhor qualidade de vida para milhares de pessoas.